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Análogos ao GLP-1 e o risco de pancreatite

26 de fevereiro de 2026

Análogos ao GLP-1 e o risco de pancreatite

Recentemente a ANVISA fez um alerta sobre o risco de pancreatite para pessoas que fazem uso das chamadas canetas emagrecedoras – os medicamentos análogos ao GLP-1.

Maíra Brandão, endocrinologista do Grupo Santa Joana, explica que o alerta foi feito após um estudo de farmacovigilância indicar a ocorrência de cerca de 1.200 casos de pancreatite em 10 anos no Reino Unido. Segundo a médica, não está comprovada causa e efeito entre os casos relatados e o uso da medicação. Além disso, o número estaria dentro da margem esperada de eventos adversos descrita em bula.

“Consta em bula que o uso destes medicamentos aumenta o risco de pancreatite em 0,3% a 0,5%. 1.600.000 pessoas usaram GLP-1 no Reino Unido de 2024 a 2025. Se a gente fosse fazer a conta dos casos de pancreatite que a gente esperaria, daria 8 mil em um ano. A gente teve 1.200 em 10 anos”, diz a médica.

Além disso, ela explica que doenças como diabetes, obesidade, hipertrigliceridemia, assim como a ingesta excessiva de álcool, aumentam o risco de pancreatite. Por isso, ainda é necessário investigar a causa do aumento de casos de pancreatite e se existe uma relação com o aumento do uso de medicamentos análogos ao GLP-1. “A resposta é: a gente não sabe com certeza se isso é culpa única ou apenas deles. Tem muitos fatores de risco”, explica.

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O que é a pancreatite?

A pancreatite é uma reação inflamatória no pâncreas e a causa mais comum é a litíase biliar (cálculos na vesícula biliar), seguida de alcoolismo. O cálculo pode causar uma obstrução que leva ao retesamento das enzimas produzidas pelo pâncreas para a digestão. Isso gera um processo inflamatório com dor abdominal, normalmente intensa, que pode irradiar para o tórax e pode estar associada a vômitos e diarreia.

Posteriormente, como consequência, pode ocorrer fibrose, perda de função do pâncreas e diabetes tipo C.

Na maioria das vezes, é um quadro reversível, mas é necessário tratamento com internação hospitalar.

Para quem está usando medicamentos análogos ao GLP-1, é comum sentir efeitos colaterais como náusea, vômito e diarreia, que vão melhorando com o tempo. No caso da pancreatite, esses efeitos não diminuem e estão associados à dor.

Medicamentos análogos ao GLP-1

Indicados originalmente para tratar diabetes e com recomendações que vão desde a diminuição do risco cardiovascular e AVC, tratamento de obesidade e doença hepática gordurosa, até a diminuição do risco de Alzheimer e fibrose hepática, os medicamentos análogos ao GLP-1 têm múltiplas contribuições. Segundo a Dra. Maíra, nada disso é invalidado pelos dados que estão sendo apresentados agora.

“São medicamentos sérios, que vêm sendo pesquisados ao longo de muitos anos e têm diversas indicações”, diz a médica. “O que acontece é que, muitas vezes, essas medicações vêm sendo utilizadas sem acompanhamento médico e até mesmo com formulações não legalizadas. Muitos pacientes não têm indicação ou tem contraindicação ou ainda fazem o uso sem acompanhamento dietético. Como qualquer medicamento, precisa de seguimento e tem seus efeitos colaterais”, explica.

A recomendação da Dra. Maíra após esse alerta da Anvisa é: para quem está usando o medicamento análogo ao GLP-1 com acompanhamento médico, não suspenda a medicação e converse com o médico. Já para quem está usando sem acompanhamento, interrompa e procure um médico.

“Não tome só o análogo ao GLP-1, faça uma dieta, tome cuidado com a alimentação e tenha cuidado com a ingestão de álcool, que são coisas que sabidamente vão aumentar o risco de pancreatite”, finaliza a Dra. Maíra.

Escute a reportagem completa sobre as canetas emagrecedoras e seu uso indiscriminado

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