Conheça a tecnologia que desenvolvemos para evitar reinternação
O Hospital e Maternidade Santa Joana tem se destacado no cenário nacional ao incorporar a inteligência artificial (IA) em suas práticas clínicas, visando aprimorar a saúde materna e neonatal.
Nos últimos quatro anos, reunimos dados de 80 mil gestantes, recém-nascidos e puérperas, utilizando algoritmos para intervenções precoces em condições de saúde. Sendo assim, essa abordagem permitiu estabelecer padrões e treinar ferramentas tecnológicas para suporte à decisão clínica.
“O processo de construção foi um amadurecimento do prontuário eletrônico. Todo o data lake do Santa Joana foi estruturado. Como somos uma maternidade que realiza um procedimento repetitivo e padrão, seguindo normativas internacionais estruturamos os comandos de tal forma que tudo que podemos fazer como variável computamos como entrada do banco de dados”, explicou o dr. Eduardo Cordioli, diretor médico de Obstetrícia do Hospital e Maternidade Santa Joana, em entrevista ao Futuro da Saúde.
A pré-eclâmpsia, hipertensão arterial após a 20ª semana de gestação, é uma das complicações mais comuns na gravidez, podendo levar ao óbito se não tratada. No Brasil, a taxa de mortalidade materna é de 57 a cada 100 mil nascidos vivos, segundo o IBGE.
Porém, no Grupo Santa Joana, essa taxa é de 4,73 para 100 mil nascidos vivos, número inferior à média da Europa Ocidental e Estados Unidos. Eduardo Cordioli atribui esses resultados positivos ao uso de IA e Big Data, que têm colaborado significativamente para a redução da mortalidade materna.
A inteligência artificial a favor da saúde da gestante
Na prática, desenvolvemos um prontuário eletrônico dinâmico que, ao receber informações como diagnóstico físico e dados laboratoriais, sugere condutas baseadas em protocolos estabelecidos. Cordioli destaca que essa tecnologia auxilia os médicos ao reduzir erros e identificar condições que poderiam passar despercebidas.
Para nós, há benefícios como: diminuição da variabilidade clínica, melhoria na sensibilidade diagnóstica e redução de retrabalho, reduzindo custos e melhorando desfechos para pacientes.
Além disso, a plataforma considera não apenas dados clínicos, mas também informações pessoais e sociais das pacientes, permitindo uma categorização mais precisa e identificação de padrões relevantes. Também utilizamos outras ferramentas de apoio à decisão clínica disponíveis no mercado, como aquelas voltadas para partos prematuros e avaliação de risco das pacientes.
Há planos futuros de expandir o uso da IA para monitoramento domiciliar de condições como a pré-eclâmpsia e acompanhamento da depressão pós-parto, áreas que ainda estão em fase de pesquisa. Cordioli enfatiza que “cada vez mais temos a intersecção entre medicina e matemática”, ressaltando o papel crescente dos algoritmos na tomada de decisões médicas.
A experiência do Hospital e Maternidade Santa Joana exemplifica como a integração de tecnologia avançada pode transformar a prática médica, oferecendo cuidados mais precisos às gestantes e seus bebês.