Diabetes tipo 1 e a neuropatia diabética
A social media Thais O., diagnosticada com diabetes tipo 1 desde os 10 anos de idade, precisou amputar o pé após complicações da doença. Embora tenha começado o tratamento logo após o diagnóstico, ela conta que a falta de informação, de ferramentas certas e de orientação adequada dificultou o controle da doença e ela viveu com a glicemia alta por cerca de 10 anos.
Apenas aos 20 anos, quando teve acesso a um hospital universitário, foi ensinada como controlar o diabetes tipo 1 corretamente – foi quando ela aprendeu a realmente cuidar de si mesma.
Porém, as consequências dos anos que passou sem o cuidado correto vieram: Thais perdeu a sensibilidade no pé e acabou passando pela amputação. O período prolongado de descontrole favoreceu o desenvolvimento de neuropatia diabética: o excesso de glicose no sangue foi danificando os nervos e reduzindo a sensibilidade e a percepção de dor.
Segundo a endocrinologista Maíra Brandão, do Grupo Santa Joana, essa é a causa mais comum de amputação não traumática. “Isso aumenta muito o risco de o paciente se machucar e não perceber; ou, às vezes, usar um sapato um pouco mais apertado, machucar o pé e não sentir”, explica a médica.
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No caso de Thais, começou com uma fratura no pé. Ela continuou pisando normalmente sem sentir dor e o quadro piorou. Passou por cirurgias, dificuldade de cicatrização e uma inflamação óssea. Com a perda de funcionalidade do pé, optou pela amputação em 2018.
“Foi uma decisão consciente, da qual nunca me arrependi, e não vivi isso como um luto, mas como solução para um problema que já não tinha reversão. Depois da amputação, minha recuperação sistêmica foi rápida, como se eu removesse um foco inflamatório permanente do corpo”, conta Thais. Hoje, ela mantém acompanhamento com médicos especializados para controle rigoroso do diabetes.
A neuropatia diabética também causa mudanças na pele, nos pelos e unhas, podendo criar portas de entrada para infecções, e pode causar alterações ortopédicas.