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Barulho dos fogos de artifício pode ser prejudicial aos bebês

4 de julho de 2014

Barulho dos fogos de artifício pode ser prejudicial aos bebês

*Imagem meramente ilustrativa. A pessoa da imagem não é um paciente do Hospital e Maternidade Santa Joana.


Em plena Copa do Mundo, tão comuns quanto bandeiras e camisas amarelas são os fogos de artifício e buzinas em volumes literalmente ensurdecedores. Mas, para quem tem um bebê pequeno, é preciso muita atenção, pois as queimas de fogos podem, além de assustar, também lesionar os ouvidos, prejudicando a audição em diferentes níveis e, em alguns casos, ainda há a possibilidade que a criança apresente um zumbido se for exposta a um som muito extenso.
Apesar da importância de se manter a uma distância adequada para evitar danos auditivos, é difícil precisar o quão longe é seguro. O barulho emitido pelos fogos de artifício pode atingir mais de 120 dB (decibéis), e o limite seguro de exposição aos sons recomendado por especialistas é de apenas 85 dB por oito horas diárias. E quando a quantidade recomendada ultrapassa esse limite, há grandes riscos de perda auditiva.
Diferente da perda de audição causada por uma condição médica ou genética, a surdez causada pelo excesso de barulho pode ser prevenida. Entretanto, quando a audição é prejudicada, ainda mais em bebês ou recém-nascidos, ela não pode ser reparada, como explica o otorrinolaringologista DR. Khalil Hanna, do Hospital e Maternidade Santa Joana. “Os ouvidos dos bebês ainda estão desenvolvendo sua maturidade e, se a criança for exposta a sons muito altos ou passar muito tempo em um ambiente ruidoso, poderá apresentar uma lesão no ouvido interno, causando uma perda auditiva“.
Os sintomas após longa exposição em locais com muita poluição sonora são diversos, como, por exemplo, zumbido, dificuldade para ouvir, irritabilidade, tontura, sensação de ouvido tampado, pressão e estalos, sintomas referidos por adultos. Caso um ou mais sintomas permaneça mesmo após o término da queima de fogos, é importante procurar um médico para realizar alguns exames que possam verificar os danos.
É importante lembrar que cada criança possui seu limite, por isso há muitas que dormem profundamente em um ambiente barulhento e outras ficam extremamente desconfortáveis. “Se o bebê ficar muito agitado por conta do barulho, o correto é retirá-lo do ambiente ruidoso, pois ele não está adaptado e isso acaba deixando-o irritado. É importante evitar locais com muito barulho e que a voz dos pais ou cuidadores seja sempre de baixa intensidade, a fim de deixar o bebê mais calmo e estimular a plasticidade do nervo auditivo, que é importante nos primeiros meses de vida”, explica o médico.
Na empolgação das festividades é fácil esquecer que o barulho pode estimular demais um bebê e deixá-lo inquieto e incomodado, assim, é importante dar muita atenção aos sinais. Se ele estiver bastante nervoso, o ideal é ficar um tempo com ele em um lugar mais tranquilo. De acordo com Dr. Khalil, não é recomendável o uso de objetos no ouvido de bebês e crianças. “A colocação do algodão no conduto auditivo externo dos pequenos não dá uma prevenção adequada contra o ruído; o indicado seria a utilização dos EPI (Equipamento de Proteção Individual) específicos para os trabalhadores de ambientes ruidosos, chegando a atenuar em torno de 30 dB o ruído do ambiente”.
Alguns exames feitos ainda na maternidade, logo após o nascimento, podem verificar se o bebê possui uma perda auditiva; caso os resultados sejam positivos, é necessário ter ainda mais cautela. Os exames que são realizados nos recém-nascidos, como o de Emissões Otoacústicas Evocadas (EOA) e o Potencial Evocado Auditivo do Tronco Encefálico (PEATE), são os exames objetivos, ou seja, não dependem da resposta do recém-nascido. “Hoje, a Triagem Auditiva Neonatal tem a finalidade de detectar uma deficiência auditiva antes da alta hospitalar, a fim de evitar o prejuízo no desenvolvimento da linguagem e da fala, que pode interferir na vida social educacional e emocional, já que a privação sensorial traz perdas irreversíveis”, explica o médico.
Para algumas pessoas pode ser difícil, mas o ideal mesmo é resistir à vontade de levar os pequenos para as comemorações dos adultos ou próximos ao local em que vai acontecer a queima de fogos, pois apesar de não haver diferença entre o ouvido de um recém-nascido e de um adulto, a imaturidade auditiva, que se desenvolve nos primeiros 18 meses de idade, pode fazer com que haja lesão na cóclea – que é a parte auditiva do ouvido interno. E caso, após diagnóstico de um otorrinolaringologista, seja constatada alguma perda auditiva, seja leve ou severa, o tratamento deve ser iniciado.

Resp. Técnico: Dr. Eduardo Rahme Amaro. CRM: 31624

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