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08/05/2015

Mães de UTI: médicas mantêm ligação com bebês mesmo após a alta

Hoje com seis anos, José é um menino completamente saudável, mas enfrentou uma batalha para sobreviver. Nasceu depois de apenas 25 semanas de gestação, pesando 915 gramas, e teve que ficar internado 128 dias.

Durante sua recuperação, o vínculo com a equipe do hospital foi tão forte que, desde então, sua mãe, a dona de casa Vânia Mário, 45, volta pelo menos duas vezes por ano à maternidade para fazer uma visita.

Casos como o dela não são incomuns em unidades de terapia intensiva para recém-nascidos. O convívio nesses locais é tão intenso que, após a alta, as famílias retornam ao hospital para visitar e manter contato com as "mães de UTI": médicas, enfermeiras e técnicas de enfermagem que ajudam a cuidar e salvar a vida dos bebês que chegam antes da hora.

Além de tratar os pacientes –às vezes por poucos dias, às vezes por meses–, elas orientam as mães sobre como tirar o leite materno para alimentar os filhos por meio de sondas até que eles aprendam a sugar e mamar normalmente.

"A vida na UTI é uma montanha russa", diz a mãe de José, que passou seu primeiro Dia das Mães no hospital. "Você sai de lá à noite com o bebê bem, volta, e ele tem recaída. A parte mais difícil é ver o seu filho sofrer."

Vânia relata que algumas pessoas foram fundamentais na recuperação do seu filho. Entre elas, a médica Filomena Bernardes de Melo, 54, conhecida como mãe Filó.

Médica do hospital Santa Joana, no Paraíso (zona sul de SP), desde 1991, ela já perdeu a conta de quantas Marias, Beatrizes, Joãos, Bernardos cuidou.

Apesar de ter apenas uma filha –Juliana, de 26 anos– Filomena diz que a família afetiva é maior. "Ela brinca que tem mais irmãos do que qualquer outra pessoa no mundo", afirma.

A médica diz que, em sua profissão, se sente não só um pouco mãe dos seus pequenos pacientes, mas também mãe das mães deles.

Na rotina das "mães de UTI", lidar com prematuros é uma verdadeira "caixinha de surpresas". Além do risco de o bebê morrer, há ainda as possibilidades de sequelas caso sobreviva.

"Nunca tiramos as esperanças dos pais, mas somos claros sobre as possibilidades que aquele bebê tem. Tentamos tranquilizar, mostrando que vamos fazer tudo o que está ao nosso alcance", afirma Filomena.

Ela conta que, além de José, um dos pacientes que mais marcaram a sua vida foi Vitor Gallo, atualmente com 18 anos. O garoto nasceu prematuro, depois de 24 semanas de gestação, pesando apenas 740 gramas.

"A mãe dele já tinha sofrido nove abortos pois não conseguia levar adiante a gravidez. Nenhum dos bebês chegou a ir para a UTI, então já considerávamos ele um vitorioso", comenta.

"Todos os anos ele vai ao hospital no seu aniversário e leva um bolo. Chega a levar o boletim escolar dele para eu ver", comenta a médica, que tem um grupo no Facebook em que reúne mais de 300 pais de ex-pacientes.

A pediatra diz que tem várias caixas com fotos dos pacientes e lembrancinhas de maternidade.

HOMENAGEM

Também uma "mãe de UTI", a técnica de enfermagem Roberta Strumiello Fagundes, 40, há 20 anos na profissão, também relata que a relação com os pacientes não acaba no dia da alta.

"Os pais mandam fotos, mensagens pelo celular, nos visitam, convidam para as festas de aniversário", diz Roberta, funcionária do hospital São Luiz.

Segundo ela, até mães que perderam seus filhos às vezes voltam à maternidade. "É como se, naquele lugar, ela estivesse mais perto do filho que partiu", afirma.
despedida

Ao receber alta, os pacientes que ficaram mais de dois meses internados são homenageados. A técnica de enfermagem relata que funcionários e pais com os filhos internados ficam enfileirados no corredor e aplaudem quem está enfim indo para casa.

"O momento é de muita emoção com muito choro de quem participa da homenagem esperando ansiosamente chegar a sua vez", diz.

Fonte: Folha de S. Paulo


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